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Saúde mental na faculdade: priorize a si mesmo.

Setembro Amarelo reforça a importância de falar sobre saúde mental na universidade e de criar espaços de acolhimento para estudantes.

A saúde mental na faculdade merece atenção durante todo o ano, mas o Setembro Amarelo cria uma oportunidade importante para ampliar essa conversa. A campanha, que acontece anualmente em setembro, chama a atenção para a prevenção do suicídio e para a importância de reconhecer o sofrimento emocional e buscar ajuda.

Quando pensamos na experiência universitária, é comum imaginar uma fase de descobertas, amizades, conhecimento e preparação para o futuro profissional. Tudo isso faz parte da graduação, mas existe também um outro lado dessa experiência: a pressão por resultados, os prazos, as provas, as dificuldades financeiras, o estágio, o trabalho, as relações pessoais e as dúvidas sobre o futuro.

Por isso, falar sobre saúde mental na faculdade significa reconhecer que a formação acadêmica não acontece separada da vida. O estudante chega à sala de aula trazendo suas preocupações, expectativas, dificuldades e experiências. E tudo isso pode influenciar a maneira como ele aprende, se relaciona e enfrenta os desafios da graduação.

Por que falar sobre saúde mental na faculdade?

A faculdade representa uma mudança importante na vida de muitas pessoas. Para alguns estudantes, é o primeiro contato com uma rotina de maior autonomia. Para outros, significa conciliar estudos com trabalho, responsabilidades familiares e outras demandas.

Essa combinação pode gerar uma sensação constante de que é preciso dar conta de tudo.

Estudar para uma prova, entregar um trabalho, cumprir as horas de estágio, trabalhar, manter uma vida social e ainda encontrar tempo para descansar pode parecer uma tarefa impossível em alguns períodos. Quando essa sobrecarga se prolonga, pode afetar o sono, a concentração, a motivação e os relacionamentos.

É nesse contexto que a saúde mental na faculdade precisa deixar de ser tratada como um assunto secundário.

Cuidar da saúde emocional não significa abandonar responsabilidades ou deixar de buscar bons resultados. Significa entender que ninguém consegue manter um ritmo intenso indefinidamente sem precisar de pausas, apoio e cuidado.

A cobrança para dar conta de tudo

Existe uma expectativa de produtividade que pode acompanhar o estudante durante toda a graduação. É preciso aproveitar as oportunidades, construir um currículo, participar de projetos, fazer cursos, conseguir um estágio e, ao mesmo tempo, apresentar bons resultados nas disciplinas.

As redes sociais também podem contribuir para essa sensação. Ao observar constantemente as conquistas de outras pessoas, é fácil comparar trajetórias e acreditar que todos estão avançando mais rapidamente.

Mas cada estudante possui uma realidade diferente.

A saúde mental na faculdade também passa por compreender que trajetórias não precisam ser iguais. Nem sempre o estudante que está enfrentando dificuldades está menos preparado, menos comprometido ou menos capaz. Às vezes, ele simplesmente está atravessando um período que exige mais apoio.

Reconhecer os próprios limites é uma habilidade importante para a vida acadêmica e profissional.

Nem todo sofrimento é visível

Um dos desafios quando falamos sobre saúde mental na faculdade é entender que o sofrimento nem sempre aparece de maneira evidente.

Um estudante pode continuar frequentando as aulas, realizando trabalhos e conversando com os colegas enquanto enfrenta dificuldades emocionais importantes. Por isso, não devemos esperar que alguém pare completamente suas atividades para perceber que precisa de ajuda.

Mudanças persistentes de comportamento podem merecer atenção. Isolamento, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer, alterações importantes no sono ou na alimentação, dificuldade de concentração, queda de rendimento, irritabilidade, sensação de desesperança ou falas relacionadas à morte são sinais que não devem ser ignorados.

Isso não significa diagnosticar alguém. Significa perceber que existe uma mudança e compreender que pode ser importante oferecer acolhimento e incentivar a busca por ajuda profissional.

Cuidar também é saber parar

Quando a rotina fica cheia, o descanso costuma ser uma das primeiras coisas sacrificadas. A lógica parece simples: primeiro terminamos todas as tarefas e depois descansamos.

O problema é que as tarefas nunca acabam completamente.

Por isso, pensar em saúde mental na faculdade também significa repensar a relação com o descanso. Dormir adequadamente, fazer pausas, praticar atividades físicas, alimentar-se bem, manter momentos de lazer e preservar vínculos importantes não são obstáculos para o desempenho acadêmico.

São formas de cuidado.

Também é importante compreender que não existe uma rotina perfeita. O objetivo não é transformar o estudante em alguém que consegue controlar cada minuto do dia, mas encontrar formas possíveis de equilibrar responsabilidades e necessidades pessoais.

Pedir ajuda também é uma forma de cuidado

Ainda existe muito estigma em torno da busca por ajuda psicológica. Algumas pessoas acreditam que precisam resolver tudo sozinhas ou que procurar atendimento significa não ser forte o suficiente para enfrentar os próprios problemas.

Mas ninguém precisa esperar chegar ao limite para pedir ajuda.

A saúde mental na faculdade também envolve saber reconhecer quando o apoio de outras pessoas pode fazer diferença. Conversar com alguém de confiança, procurar orientação dos professores ou coordenadores e buscar atendimento psicológico são possibilidades para quem percebe que está tendo dificuldades para lidar com determinada situação.

A ajuda profissional pode oferecer um espaço de escuta e reflexão para compreender sentimentos, identificar dificuldades e construir estratégias para lidar com os desafios.

A faculdade também pode ser um espaço de acolhimento

Promover saúde mental na faculdade não é responsabilidade apenas do estudante. A instituição também tem um papel importante na criação de ambientes em que as pessoas possam falar sobre suas dificuldades e encontrar orientação.

Professores e coordenadores, por exemplo, podem contribuir ao perceber mudanças no comportamento dos estudantes, estimular o diálogo e indicar os serviços disponíveis na instituição.

Isso não significa transformar professores e coordenadores em profissionais de saúde mental. Significa reconhecer que a educação também envolve relações humanas e que um ambiente acadêmico acolhedor pode fazer diferença na trajetória de um estudante.

Por isso, se você estiver passando por um momento difícil, procure conversar com alguém. Na faculdade, informe-se sobre os serviços de apoio disponíveis e procure o Plantão de Psicologia, que pode oferecer acolhimento e orientação aos estudantes.

Setembro Amarelo: uma conversa que precisa continuar

O Setembro Amarelo é uma campanha importante, mas a reflexão sobre saúde mental na faculdade não precisa terminar quando setembro acaba.

Cuidar da saúde emocional é um processo contínuo. Envolve perceber como estamos, reconhecer quando algo mudou e compreender que pedir ajuda faz parte da vida.

Também envolve olhar para quem está ao nosso lado.

Às vezes, uma pergunta simples como “você está bem?” pode abrir espaço para uma conversa importante. Mais do que perguntar, é preciso estar disposto a ouvir sem julgamentos e sem tentar diminuir aquilo que a outra pessoa está sentindo.

Falar sobre saúde mental é criar espaço para que as pessoas possam existir também em seus momentos de fragilidade, sem a obrigação de parecerem bem o tempo todo.

Na universidade, onde tantas transformações acontecem ao mesmo tempo, esse cuidado se torna ainda mais necessário.

A saúde mental na faculdade também faz parte da formação. Cuidar de si não significa deixar seus sonhos de lado. Significa construir uma trajetória em que você também tenha espaço para respirar, pedir ajuda, descansar e seguir em frente.

Se você sente que não está conseguindo lidar sozinho com o que está vivendo, procure apoio. Converse com alguém de confiança e informe-se sobre o Plantão de Psicologia da instituição.

Você não precisa dar conta de tudo sozinho.